Menina Mulher, guerreira e atual
Um pouco de tudo....
10 de maio de 2012
25 de setembro de 2011
Como você reage as "brincadeiras" machistas dos amigos?
Por Denise Rangel
exposição ao humor machista pode levar à tolerância de sentimentos hostis e discriminação contra as mulheres. Nossa atitude leva os homens a acreditar que o comportamento machista está dentro dos limites de aceitabilidade social.
Quando um homem conta uma piada ou faz uma brincadeira machista, você é uma das pessoas que diz: “Você sabe que eu não acho isso engraçado”, mesmo correndo o risco de ser chamada de “feminista sem senso de humor”? Para ser sociável você tem de rir? Afinal, “os homens fazem as brincadeiras machistas por diversão!”, “São só brincadeiras!”, dizem-me as mulheres que acham graça delas. Bom, nesse caso, parece que, essas mulheres, para serem aceitas no grupo, precisam rir das brincadeiras e das piadas, pois só assim serão tratadas como igual.
Muitas mulheres dizem que “homem não presta”, que “homem é assim mesmo” e aceitam as brincadeiras machistas, porque tal comportamento é da natureza e do instinto masculino. E muitos deles ficam aborrecidos se chamados de machistas, pois não se consideram como tal, e, portanto, não admitem serem enquadrados em qualquer definição sexista. Infelizmente, o machismo é tão poderoso e tão prevalente porque muitas pessoas acham que está tudo bem.
Quero deixar claro que, se uma piada é engraçada, eu vou rir! Porém, penso que é importante as mulheres reagirem honestamente, se algo na piada as deixa desconfortáveis. As brincadeiras de cunho machista se perpetuam porque o preconceito contra a mulher ainda é visto como algo menor, que não chega a despertar repugnância. E precisamos deixar bem claro que não é. O preconceito contra mulheres é muito grande, é pernicioso, é relevante! E, com nossa atitude autêntica, apontar o machismo nas brincadeiras é só mais uma forma de alertar para a existência dele.
A mulher tem um papel fundamental na mudança do machismo cultural brasileiro, mas, sem consciência de que ele existe e é perpetuado por ela, isso será impossível. Acontece que, quando pessoas como eu apontam o machismo em comentários, piadas e brincadeiras, há mulheres que dizem que somos exageradas, que a intenção do homem não era machista, e, portanto, a ação em si não era machista. Isto não só ajuda a perpetuar esses comportamentos machistas, como também estimula o ressentimento para com as feministas e o movimento em favor dos direitos da mulher.
A Srta. Bia disse, em um de seus posts, “que existe um paradigma da vulgaridade, o sexo nunca foi tão exposto, nossa sexualidade parece ter sido sequestrada pela pornografia“. As piadas machistas perpetuam o machismo, pois mostram que as mulheres devem ser usadas como objetos sexuais, e solidificam a ideia de que os homens são melhores do que elas. Algumas piadas banalizam a violência e a agressão sexual e perpetuam a ideia de que a violência contra mulheres seja tolerada.
Meu objetivo não é culpar as mulheres, mas apontar o perigo de reproduzirmos os valores tradicionais, ao aceitarmos tais atitudes como normais e próprias da natureza masculina. Se, sempre que vemos alguém, em casa ou no trabalho, fazendo piada machista, e não reagimos honestamente, o machismo continua vivo. Percebo o ar de satisfação nos colegas de trabalho quando as mulheres riem de suas brincadeiras. É como se enviassem uma mensagem de que está tudo bem, que nós não nos importamos, que eles têm nosso apoio. Será que nós, mulheres, não ajudamos a perpetuar o machismo de alguma forma?
A exposição ao humor machista pode levar à tolerância de sentimentos hostis e discriminação contra as mulheres. Nossa atitude leva os homens a acreditarem que o comportamento machista está dentro dos limites de aceitabilidade social. Uma pesquisa alerta que as pessoas devem estar cientes da prevalência do humor depreciativo na cultura popular, e que o pretexto de que são “diversões benignas” ou de que são “só uma piada” dá-lhe o potencial para ser uma força poderosa e difundida, e que pode legitimar preconceitos em nossa sociedade.
O que você pode dizer em resposta a piadas desse tipo?
- Diga que não é nada engraçada uma piada sobre estupro, por exemplo, porque o estupro é um evento traumático e um crime violento. Brincar sobre este tipo de violência nos faz esquecer o que ele realmente é, e como ele é sério. Há uma boa chance de que alguém na sala tenha uma pessoa próxima que foi violada ou sexualmente agredida.
- Se alguém diz que o piadista faz as brincadeiras para “alegrar” o ambiente, você pode dizer que, ainda assim, não acha engraçado. Não se surpreenda se disserem que você não tem senso de humor. Você plantou uma semente deixando clara a mensagem de que você não corrobora com atitudes que perpetuam o machismo.
- Saiba que você não está sozinha ao reagir a um comentário machista. É provável que ninguém mais tenha se pronunciado contrariamente à brincadeira, porém não concorda com ela. Outras pessoas sentem-se aliviadas quando alguém fala e são encorajadas a se manifestar também.
- Mesmo se você for a única a não rir, os “humoristas” saberão exatamente o que há de errado com um comentário ou piada aparentemente simples. Deixe-os saber o impacto que tem sobre você ou outras pessoas. A maioria das pessoas são razoáveis e uma vez que reconhecem as origens do potencial de dano de uma brincadeira machista, eles encontrarão outras formas de fazer piadas.
Como reagir a piadas machistas?
Eu, geralmente fico séria, ignorando completamente a brincadeira. A maioria das pessoas querem uma reação, boa ou ruim. O objetivo é chocar. Não é necessário fazer um discurso a cada situação desconfortável diante de uma piada machista. Respostas simples são muitas vezes eficazes.
Quando um colega de trabalho me perguntou se eu queria ver um “convite” que ele fizera para um evento só de homens, com fotos de mulheres “gostosas” e em trajes sumários, eu, naturalmente, disse que não queria ver, pois ele sabia que sou feminista. E, em nome de nossa amizade, era melhor ele não me mostrar estas coisas. Ele apenas respondeu “tudo bem” e guardou o convite.
Quando reagimos assim a um comentário ou brincadeira machista, é possível que a pessoa que os fez vá continuar a fazer tudo de novo; porém, se mantivermos o mesmo comportamento, de explicar que não compartilhamos risadas a comentários humorísticos envolvendo a mulher, logo ela perceberá que nossa luta pelo fim da violência contra a mulher é séria, e que machismo e violência contra a mulher não são motivo de riso.
E você, como reage às sessões de humorismo machista dos amigos, em seu dia a dia?
14 de junho de 2011
Sonhos de um coração...
"Poderíamos casar, teríamos um apartamento, tomaríamos café as cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário, de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia, saberíamos."
Caio Fernando Abreu
Polianímico
sofro de várias almas.
morro da carne e acordo pro sonho.
não conseguir controlá-las
é um pavor de sofrer em viver medonho.
tudo acontece em um abraço das pálpebras.
entropia anímica fervorando meu eu.
lupino ser enxergando-se em mil almas.
discrepância de seres matando o meu.
a entrada é o preço da razão.
morrer da alma e definir-se, enfim.
rir-se e entender-se como ilusão,
um mágico teatro, início e fim.
fim de uma vida, uma era insana
de dores e buscas, navalhas e burcas.
a carne morreu, pluralidade profana.
viver entre peças das ruas internas.
libertar-se de si para viver de mil almas.
todo começo surge a partir do enfim.
hesseando as vidas que antes não calmas:
eu, plural de mim.
"pra dilatarmos a alma temos que nos desfazer. pra nos tornarmos imortais a gente tem que aprender a morrer."
(O Teatro Mágico - Fernando Anitelli)
morro da carne e acordo pro sonho.
não conseguir controlá-las
é um pavor de sofrer em viver medonho.
tudo acontece em um abraço das pálpebras.
entropia anímica fervorando meu eu.
lupino ser enxergando-se em mil almas.
discrepância de seres matando o meu.
a entrada é o preço da razão.
morrer da alma e definir-se, enfim.
rir-se e entender-se como ilusão,
um mágico teatro, início e fim.
fim de uma vida, uma era insana
de dores e buscas, navalhas e burcas.
a carne morreu, pluralidade profana.
viver entre peças das ruas internas.
libertar-se de si para viver de mil almas.
todo começo surge a partir do enfim.
hesseando as vidas que antes não calmas:
eu, plural de mim.
"pra dilatarmos a alma temos que nos desfazer. pra nos tornarmos imortais a gente tem que aprender a morrer."
(O Teatro Mágico - Fernando Anitelli)
13 de junho de 2011
Todos iguais.Mas uns mais iguais que os outros.
Mordaça, opinião, democracia, responsabilidade, que mais????
Leiam esse excelente texto produzido por Renata Oliveira Lima, Mulher em um mundo masculino. Delegada de Polícia. Tuiteira, blogueira, leitora compulsiva. Feminista, libertária, de esquerda. Contradição? Não. Liberdade.
A Constituição Federal, apelidada de “Constituição Cidadã” pelo falecido Ulisses Guimarães, consagra, como fundamentos do Estado Democrático de Direito:
I – a soberania;
II – a cidadania;
III – a dignidade da pessoa humana;
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V – o pluralismo político.
E tem como objetivos fundamentais:
I- construir uma sociedade livre, justa e solidária;
II – garantir o desenvolvimento nacional;
III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
No artigo 5º, que abre o capítulo sobre dos Direitos e Garantias Fundamentais, explicita:
Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.
Em seguida, diversos incisos (78, para ser exata), explicitam os termos sob os quais serão garantidos os direitos. Essa introdução é para falar sobre a liberdade de expressão. E suas conseqüências.
O texto da lei maior, a Constituição, diz:
é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.
O contrário disso, seria censura, essa palavra tão falada e execrada, merecidamente. Já vivemos sob censura declarada. Durante anos, tivemos pessoas que nos diziam o que ler, o que ouvir, o que cantar, o que assistir, o que seria adequado e apropriado. Hoje, não há censura oficial no país.
Mas as vezes, sob o manto do Estado Democrático de Direito, convivemos com diversas formas de censura. Seja em casa, pela família, que nos diz como devemos nos comportar, com quem devemos nos relacionar, entre outros, temos pairando sobre nós a ameaça de processo, por expressar opinião.
O anonimato é vedado, mas nos portais de internet, e outros sítios que permitem comentários anônimos, o mais comum é vermos expressões anônimas do pensamento, o que inviabiliza a contrapartida do direito à liberdade de expressão, que é o direito de resposta, e a indenização por dano.
é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
Quanto às manifestações artísticas, intelectuais, científicas e de comunicação, o inciso IX é ainda mais claro:
é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,independentemente de censura ou licença;
Obviamente, caberá também o direito de resposta, caso a manifestação venha a violar direito de outrem, como a honra, a intimidade, a vida privada. Para assegurar o direito de resposta, temos o Poder Judiciário, um dos três poderes do Estado, desde Montesquieu, e a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.
Temos visto muitas vezes ameaças de processo, ou mesmo processos judiciais, iniciados visando exclusivamente amordaçar opiniões contrárias às do emissor. E nesse embroglio, entram os famosos (e famigerados) crimes de calúnia, difamação e injúria. Usar a seara criminal para intimidar divergentes não é uma tática moralmente aceitável, pelo menos para mim, que trabalho especificamente com crimes. Mas é uma das coisas que mais ocorrem. E como vivemos em uma democracia jovem, em maturação, ainda não há o acesso à Justiça para todos. Logo, somente aqueles mais poderosos já possuem garantido o direito de acesso à Justiça, e várias vezes o usam para intimidar e silenciar as vozes dissonantes.
Quem são as vozes dissonantes? Quem somos?
Nós, que ousamos lutar e manifestar nosso descontentamento com o status quo. Nós, que ousamos lutar e manifestar nosso pleito por igualdade material, por liberdade não apenas de fazer o que nos é dito, mas o que nos é justo e caro. Liberdade para pleitear o aborto legal, a reforma agrária, o direito de usar as roupas que desejarmos, o direito de amamentar em público, de expressar afeto, de ser reconhecido como sujeito de direitos, e não como objeto. Lutar pela igualdade racial, de gênero, de sexo, de identidade sexual.
Nós, mulheres, feministas ou não, há pouco nos tornamos SUJEITOS de Direito. Durante séculos fomos objeto, fomos posse de pais e maridos e filhos homens. Não podíamos votar, escolher nossos maridos, escolher se queríamos ou não ser mães. Não podíamos estudar, nem trabalhar fora, sem autorização. Nossa luta para sair da esfera privada e ingressar na esfera pública foi árdua, e ainda que existam vozes que queiram um retorno ao lar, essas vozes só existem porque hoje temos nosso direito de escolha.
Mas fujo ao tema. Me empolguei…
Somos todos iguais. Mas alguns, ainda “mais iguais” que os outros. Apenas quero esclarecer queameaças de processo não podem calar nossas vozes. E que também temos que aprender que a finalidade do processo é resolver um litígio, uma disputa. E nem sempre o Judiciário consegue resolver o conflito que jaz por detrás da disputa explícita. Se formos processar todos as opiniões contrárias à nossa luta, teremos disputas judiciais correndo por anos, julgadas por seres humanos, que ainda que sejam imparciais, porque a lei assim o exige, não são neutros à realidade social na qual estamos todos inseridos.
Eu acredito na Justiça, para mudar e avançar. Já o disse aqui. Mas, diante de certos comportamentos, atos como a Marcha das Vadias, que ocorreu em SP dia 04 de junho, e ocorrerá em outras cidades brasileiras dia 18, são mais eficazes e mais eficientes. O último parágrafo no post da Marjorie, sobre o quanto podemos fazer, o quanto já fizemos, é emocionante. Não vão nos calar com processos, e não vamos calá-los com processos. Vamos exercer sim, nosso direito de manifestação, e exigir o direito de resposta, sempre que possível.
Mas a Democracia é uma ilusão fugidia, e temos que respeitar o direito de pessoas que se manifestam contra o aborto, contra a igualdade, a favor do porte de arma, a favor da pena de morte. E eles tem que respeitar nosso direito de manifestar, expressar nossa opinião, expor nosso pensamento. Isso os incomoda. Sempre incomodou, e não vai mudar tão cedo. Não vamos nos pautar pelo que eles desejam, pelo que uma ordem pré-estabelecida definiu como nosso lugar.
24 de dezembro de 2010
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